sexta-feira, 23 de março de 2012

                                                             
                                            O Górki de Ângela

Batista de Lima.
Caderno 3, Diário do Nordeste, 20/03

Tépido e gorduroso é o texto de Ângela Calou. Calorento, fogo de monturo, borralho. Sebosa sua metáfora. Suja de eras, balseiro de signos, coivara de suposições. Ler essa moça é um desossamento. É preciso extirpar musculaturas, atolar-se. Não se consegue tomar pé nas suas dimensões. Falta fôlego para tanta fundura. Lodaçal de possibilidades. É uma senhora madura, nascida em 1988, mas que já existia muito antes dos aluviões. E é de Juazeiro do Norte. Infeliz de quem ler "Eu tenho medo de Górki". Mais infeliz de quem não ler.
Há um buraco que ela constrói de dentro para fora. Uma explosão que intumesce as coisas, como um estômago que se instaura onde a gente pensa que nada há. Ângela garimpa as coisas nas palavras e as palavras nas coisas. Suas escavações desestabilizam os códigos e criam pulsações onde vidas se refugiam. Perversa, seu corte é feito com gume cego. Doloroso corte que vitima o leitor invasor dos seus domínios. Seu texto esburacado só permite leituras trepidantes. Não é apenas poesia em prosa, mas também uma troca de sopapos com Clarice que ousou partir mais cedo. É um texto cheio de calos, novelos invisíveis, palavras blindadas em perscrutação. Ela prospecta em desertos para encontrar oásis.
A certa altura da jornada, ela chama os mortos para o jantar no dia do avesso de Joana, uma das suas enigmáticas personagens. Quando está movida a desimpressão, encara a paz das telhas e faz chover canivetes e demônios incautos para martírio das cicatrizes. Por isso que seu choro é para dentro e tudo que por fora fica, oco se torna. Tudo vaza para dentro em contrapassos da lógica. Isso porque essa moça é um poço de rebeldia, um calabouço das convenções. Seu coração é guardado numa pochete cadeada. A fome ela guarda no congelador porque acha terrível não ter fome. Mas quando se chega ao conto "Eu tenho medo de Górki", é o leitor que se fere sobre um formigueiro de imagens. Dóris emerge como última esperança de salvação do código. A palavra sobrevive.
Em "Capricho 43" ela revela: "Eu sou o inseto sobre a cama (...) Eu sou os dois - o que observa e aquele que se abandona à medida da vista de seu observador (...) Eu sou uma frase de não-sentido". Já em "Quase uma fantasia", ela mostra muito conhecimento de Beethoven. Chega a concluir que não foi o compositor que ensurdeceu mas o mundo que de repente emudeceu. Tudo semelha a uma "ode à melancolia em fim de tardes maceradas e distraídas no mormaço da escuridão". Essa melancolia também transpira do texto de Ângela como para dizer que é a morte que abre as portas ao mundo da alegoria. Daí que seu talento é assombroso e seu mundo é como que algo despedaçado a necessitar de um ajuntamento de cacos para dar sentido ao existir.
Além da colocação da fome no congelador, Ângela ronda a cidade com os olhos cheios de sede. Mesmo assim, sua verdade é verde, a morte é branca. Ela consome a cidade e,ao mesmo tempo, dela vaza pelo oco incrustado no meio das falas e das coisas. Então ela pensa em não mais pensar, mas apenas transitar pelos "caminhos lodosos de suas rusgas internas", como quem conta grãos sem a certeza de que os está contando. Isso não impede de, escondida, rasgar as coisas de dentro para fora e brotar nelas, emergindo de mergulhos. Essas coisas são tão vasculhadas que, personificadas, a autora praticamente executa uma terapia que funciona a partir do leito das metáforas.
A leitura do mundo, feita por Ângela Calou, dispensa significantes porque seu pé de apoio está muito aquém das superfícies. As poucas vezes em que emerge dessas profundidades é para roubar as cores das coisas, numa traquinagem que estilhaça as encostas da tarde. Daí que sua escritura radical se torna encantadora. Há um singelo encanto radical que faz do paradoxo uma brisa de outubro e extrai das metáforas mais sisudas seus sentidos mais inconfessos. Por isso que o foco de suas incursões no campo do humano se fixa na fala. Ela atua no que há de mais tenso entre o indivíduo e as engrenagens sociais. Essa tensão é sua matéria prima. Acontece que as coisas também entram como actantes nesse processo.
Essas coisas são personificadas, dialogam entre si e também possuem seu código para colocar o mundo em desarranjo. É daí que nasce sua fala, como rescaldo dos atritos entre metáforas e metonímias. O corpo dá lugar á corporeidade, como uma desconfiança diante da pouquidade do que é sólido. Há um Antoine na sua vida que ousou entrar no texto, concha, molusco e boca, enquanto a sede é da narradora. Amá-lo é amar-se. É por isso que pela segunda vez ela tem dezoito anos. Antoine é o Poeta de Meia-tigela? É o que sugere o Posfácio, que se configura como a culminância do livro. São indizeres que não deixam de dizer. São doeres que não deixam de doer. São desestórias que não deixam de historiar.
É difícil não ter medo de Górki. É uma leitura para ser feita pelo avesso. Uma transgressão precisa de uma leitura transgressora. É preciso alojar-se na estrutura profunda para encetar uma emersão de dentro para fora. É preciso impregnar-se de sombras para a conquista da mais nítida claridade. O oco que ela vasculha nas falas e nas coisas é um buraco a ser preenchido pelo leitor, é um vazio que quanto mais repleto fica, mais oco se torna. Não se lê Ângela Calou se não se usarem as suas e as nossas ferramentas de escavação. Há uma teia que ela tece, que pesca o leitor de fora para dentro, para que tudo comece pelo porão. Há uma caverna que nos engole, metáfora de Jonas, o profeta.
Por fim chega-se ao final do livro com a ilusão de que se conclui a leitura. Impossível livrar-se de um afogamento se a batalha da emersão não continuar além do texto que nos é dado. Ângela Calou abre apenas uma fenda que engole o leitor, afogando-o. A leitura é pois um desafogamento. O signo verbal parece ser incompetente para ajustar significado e significante. O referente cai numa deriva que o obriga a criar um porto para chegar. Esse dilema sugere a metáfora do dilúvio quando a autora promove um ponto de chegada. A leitura desse livro é um exercício de coragem. É preciso perder-se para se conseguir achar-se. Se Ângela Calou tem medo de Górki, eu tenho medo de Ângela Calou.

quinta-feira, 22 de março de 2012


                                            Escritor cotonete

Pedro Salgueiro para o Jornal o Povo, 21/03/2012

Um dos fatos que me fazem acreditar que estou ficando irremediavelmente mais velho é a quantidade de jovens escritores que me procuram para ler seus originais de livros e, claro, para dar minha modesta opinião sobre suas criações literárias. No início estranhava um pouco, dava uma desculpa de que não era especialista, que mal sabia avaliar os meus próprios continhos etc. e tal. Mas com a insistência (e a simpatia) deles fui que fui aceitando ler e avaliar e meter o bedelho em algumas coisitas que achava de mau gosto ou fora do lugar, mas sempre com o pé atrás: afinal, quem sou eu para julgar uma pretensa obra de arte alheia? Nem fiz uma faculdade de Letras, sou um autodidata em tudo na vida, minha leituras são por demais anárquicas e só obedecem aos meus gostos pessoais. E além do mais sei, por experiência própria, que todo mundo é vaidoso e que no fundo não aceita bem uma interferência externa, principalmente se for negativa.
Junte-se a isso tudo a minha total falta de jeito para qualquer análise, para desenvolver um texto opinativo sobre algum assunto, talvez devido ao meu despreparo teórico sobre vários e vários assuntos, pois fui sempre muito intuitivo, aprendendo as técnicas e conceitos na maioria das vezes à fórceps. Como repassar então opiniões que muitas vezes apenas percebo por pura intuição, apenas de ouvido?
E o que é mais grave: como julgar trabalhos de pessoas que estão apenas engatinhando nessa árida estrada do fazer literário, se eu mesmo, já dobrando a casa dos 40, a cada dia aprendo coisas novas (muitas vezes com autores bem mais jovens e aparentemente iniciantes) e sou também inseguro quanto aos caminhos que sigo em meus parcos escritos? E como não melindrar (e desestimular) uma jovem promessa literária com julgamentos taxativos e/ou autoritários? Uma arte que se vai aprendendo aos poucos, com muito diálogo, confiança e sinceridade. Não aprendi ainda, visto que todas as pessoas são diferentes e têm reações diversas, objetivos diferentes e, obviamente, sensibilidades únicas. Encontramos escritores jovens completamente receptivos a sugestões e críticas, mas também outros bastante seguros de suas qualidades (e raramente de suas limitações). O jeito que encontrei: ir caminhando junto com eles, sugerindo que mostrem para outras pessoas mais calejadas, que sigam mudando passagens e lendo em voz alta, indo aos poucos aprendendo com vários autores de estilos diferentes, vendo o que os mestres acharam como soluções para tais e quais dúvidas.
Não é uma tarefa fácil, exige tempo, disposição, conhecimento, mas principalmente uma sensibilidade danada, pois afinal estamos tratando com jovens talentosos, muitos deles que logo, logo estarão (se tiverem força e persistência) nos ultrapassando de longe com belas obras literárias.
Como tenho mesmo muitas dificuldades para análises fui preferido escrever quando muito uma “orelha”, daquelas que cabe numa só aba (à esquerda), sugerindo ao autor que deixe a segunda para sua foto e breve biografia.
Mas se acho que o livro não está ainda pronto para uma publicação, se acredito sinceramente que o autor pode melhorá-lo com boas revisões, substituições de algumas peças ou trechos, falo isso impreterivelmente em particular, jamais teria coragem de fazer em público ou aceitar escrever um texto fazendo as tais restrições. Acho de uma descortesia absurda, de uma desonestidade intelectual danada aceitar escrever sobre um autor e “sentar a lenha” ou mesmo fazer restrições veladas e cínicas.
Então brinco comigo mesmo dizendo que estou me sentindo um verdadeiro “escritor cotonete”, tantos são as “orelhas” que tenho escrito ultimamente, fato que tem me assustado e me levado a essa divagação dolorosa sobre a velhice.
P.S.: Queria, nas entrelinhas, dizer que me sinto extremamente feliz quando encontro um novo e esperançoso escritor com seu livro inédito debaixo do braço e partindo para a cruel tarefa de tentar publicá-lo. Não sou, felizmente, daqueles que querem ser os únicos escrevinhadores da face da terra, que se sentem extremamente ameaçados com o talento dos jovens. Também acredito piamente que um escritor se vai fazendo aos poucos, com erros e acertos, amadurecendo ao mesmo tempo em que vai vivendo. Acho até que se ele não for se tornar nenhum gênio mal algum causará à humanidade, tão cheia de coisas piores do que uma simples má obra de literatura.


               Quando o Amor é de Graça X: A Dor que Alivia

Raymundo Netto, para O Povo 


Noite alta num bar em fuzilo de chuva, recente e jovem amigo chegou a chorar de bêbado a dor pela perda da “noiva”, namorada eterna, maior amor de toda sua (curtíssima) vida, desde os 18 aos atuais 25 anos.

Assistindo ao choro, percebia-lhe a lágrima sincera a salgar os enegrecidos coraçõezinhos flechados pelo espeto insensível de churrasqueiro. Respeitando sua dor e dela não compartilhando — meus sofrimentos são bastantes para mim —, aboletou-me à cabeça, sei lá o porquê, a lembrança de um primeiro cheque devolvido. Na época, como ele, era muito jovem para entender a perecibilidade dos sentimentos indesejosos, e cria ser aquilo de injustiça tamanha, “logo eu”, homem correto, honesto, trabalhador, no começo da vida, por um descuido do sistema financeiro, ser vitimado pelo atesto em carimbos de incompetência. Não sabia ainda que pessoas assim são merecedoras (e carentes) mesmo de tais adversidades. Pois sim, o primeiro me voltou como beliscão no orgulho. Em seguida, mesmo mês, mais oito se numeraram àquele, até brilhar-me ante a manhã a notícia esparsa de que parecia ter acontecido uma outra vez... Ora, e daí? Devo não nego, pagarei quando puder e pronto! E paguei, sim, por nunca me gostar do dinheiro alheio. Nunca mais tal coisa me foi de sofrimento e, talvez, por isso nunca mais me aconteceu. Quando todas as dores do mundo parecem encontrar aconchego em nosso peito, tudo se torna mais fácil, calejada a alma, rimos até diante dos pequenos padecimentos.

No cérebro, o "hard disk" da natureza humana, também o Criador engendrou mecanismo similar, que os cientistas denominariam de “Portão de Controle”. O que é isso? As fibras nervosas que transmitem ao cérebro os sinais de dor são como "estradas carroçais", enquanto as que carregam os sinais de pressão e de tato são "pistas asfaltadas". Assim, se no corpo houver algum trauma (pancada, corte, etc), mas tiver muitos "estímulos" velozes de natureza de pressão e/ou de tato (impulsos elétricos artificiais, massagem, acupuntura, dô-in, etc), o cérebro fica tão “lotado” deles de não mais abrir seus "portões" aos vagarosos sinais da dor, que, ao chegar em frente ao portão verão apenas o cachorro sorrir latindo...

A respeito da nunca sofismável e ao mesmo tempo caleidoscópica constatação, ao encontrar, nas minhas madrugadas solitárias, o Mário Gomes, o filósofo das calçadas, ele me parou, olhou torto — não só o olhar torto eu diria, devido à desconjuntura de seu esquadro — e disse: “Raymundo Netto, você é um cara simpático, mas não é feliz. Para o artista não é fácil ser feliz, mas você pode conseguir... Pode... Mas tem que cair no fundo do poço primeiro para saber o que é a felicidade.” No fundo do poço, repetiu.

E foi no intervalo desse pensamento que o etílichato amigo, diante da minha aparente insensibilidade, e com anseio de atirar em mim o pouco de sua ingênua tragédia pessoal, sentenciou: "Você não sabe o que é amor, Raymundo, por isso nem liga".

Sorri, com a mais absoluta despretensão diante daquele seu grande e podre amor, e comprovei que o que quero para mim é tão maior que não cabe dentro dele nem um nome.



                                                       Meio-dia

Sentado à mesa do restaurante uma farda da PM executa em silêncio a oração do almoço. Acompanhando a contrição do rosto dele ao lado de Deus, a minha curiosidade humana pergunta se esse policial ora também pela alma dos que ele matou.  

Silas Falcão

terça-feira, 20 de março de 2012


Jornalista Alano Maia

UMA MANHÃ BASTANTE CONCORRIDA NA CÂMARA MUNICIPAL DE EUSÉBIO

Foi um encontro de grandes homens e de personalidades da sociedade cearense, a Sessão Solene de entrega do Título de Cidadania, ao escritor Bernivaldo Carneiro (FOTO), no Plenário da CME. O espaço estava lotado e não faltaram discursos empolgantes em homenagem ao escritor. Políticos e escritores marcaram presença numa solenidade de alto nível. Uma bela apresentação dos cantores Alvarus Moreno e Auzeneide Cândido que deram um toque de emoção à solenidade. Bernivaldo agradeceu ao título proposto pelo vereador Fares Filho (PSB) e falou sobre sua trajetória literária.
Após a solenidade foi servido um farto coquetel aos presentes. Em seguida aconteceu a sessão ordinária com a presença de todos os parlamentares [...]


OS POETAS DE QUINTA PARABENIZAM BERNIVALDO CARNEIRO




Caymã e Lucarocas
Bernivaldo, o pai Zé Carneiro e o proponente do título, vereador Fares Filho
A esposa, Anastacia Carneiro
Álvaro Moreno e esposa
Zé Carneiro
Sítio do Bernivaldo

Lúcia Marques, coordenadora de literatura do Sesc
Fcº Pinheiro, Secretário de Cultura do Estado do Ceará.

D. Edmilson Cruz
Fcº Clementino - Tizim, Pres. da ACE.
Cantor e compositor Caymã Moreira

Os boêmios

quinta-feira, 15 de março de 2012

                       
              Sobre o Edital do Prêmio Literário para Autor (a) Cearense


O Secretário da Cultura do Estado do Ceará, por considerar a atividade editorial e toda a sua cadeia produtiva como integrante do processo de desenvolvimento cultural e, assim, essencial para o desenvolvimento do Estado, no uso de suas atribuições, tornou público o Edital do Prêmio Literário para Autor(a) Cearense que tinha por objetivo garantir a democratização do acesso aos recursos do Tesouro do Estado para, conforme a Lei nº 13.549, de 23 de dezembro de 2004, estimular a produção e valorização dos autores e editores radicados no Estado do Ceará, promover a circulação do livro, preservar o patrimônio literário, incrementar a produção editorial estadual e regulamentar as inscrições para apresentação de propostas e seleção de projetos em Literatura e Cultura em 14 (quatorze) categorias, sendo atribuído ao presente Edital o valor da ordem de 2.000.000,00 (dois milhões de reais).
O Edital, elaborado e desenvolvido por Raymundo Netto, coordenador editorial da SECULT, selecionou e premiou cearenses, dentre escritores, editores, quadrinhistas (pela primeira vez), pesquisadores, ilustradores, cordelistas, artistas e autores (as) de projetos gráficos em Literatura e Cultura em reconhecimento à originalidade, qualidade intelectual e técnica de seus trabalhos.
Todas as 14 categorias receberam o nome de autores e personalidades cearenses de relevância, ação importante a destacar: Poesia (Caetano Ximenes Aragão), Conto (Moreira Campos), Romance (Jáder de Carvalho), Crônica (Milton Dias), Reedição (Otacílio de Azevedo), Cordel (Alberto Porfírio), Ensaio sobre Tema Cultural (Guilherme Studart), Ensaio/Crítica Literária (Braga Montenegro), Revista Literária (Edigar de Alencar), Quadrinhos (Luiz Sá), Álbum/livro de Arte (J. Ribeiro), Literatura Infanto-Juvenil (Rachel de Queiroz), Dramaturgia (Eduardo Campos) e Selo Editorial (Manoel Coelho Raposo).
O Edital, o maior prêmio literário oferecido no Brasil, em valor global, e que envolve a cadeia criativa e produtiva do livro, trouxe diversas novidades:
(a) Pela primeira vez se pagou, além do valor para a publicação da obra (que variou entre R$ 2.000,00 — folhetos de cordel — a R$ 100.000,00 — livros/álbuns de Arte) o valor de prêmio para o autor, variando entre R$ 2.857,14 e R$ 4.285,71 (valores brutos);
(b) Outra novidade foi exigir a edição e impressão em editoras e gráficas no Ceará, garantindo o investimento em nosso mercado;
(c) Também foi exigida a contemplação nas propostas orçamentárias Editoriais de todos os serviços editoriais (revisores, ilustradores, designers, cotejadores, etc.), o que resultou em projetos gráficos mais audaciosos e elaborados;
(d) Pela primeira vez, foi destinado recurso para se pensar a DISTRIBUIÇÂO;
(e) garantia do espaço de REEDIÇÂO de obras de interesse geral;
(f) Pela primeira vez abriu-se espaço para premiar álbuns de quadrinhos, revistas literárias, álbum/livro de arte e selos editoriais, o que revela o ineditismo da ação, contemplando outros segmentos.

Na Comissão de Análise e Seleção do Prêmio: Carlos Augusto Viana, Teoberto Landim, Socorro Acioli, Miguel Leocádio Araújo, Alexandre Barbalho, Stélio Torquato Lima, Carlos Carvalho, Otávio de Menezes, Tércia Montenegro, Raymundo Netto, Elvira Drummond, Lourdinha Leite Barbosa, Ana Maria Roland, Ricardo Jorge Lucas, Ana Kalina Freitas e Luís Sérgio dos Santos.
Por ser totalmente realizado dentro da COPLA, tentou-se reduzir, ao máximo, a burocracia existente. Inclusive, promovendo oficinas de preenchimento de formulários e de planos de trabalho. No atendimento, por entender as dificuldades dos proponentes do interior, auxiliamos no que pudemos, sendo os mais flexíveis possíveis (sem ferir, em nenhum momento, a legalidade) e nos comunicando por e-mail, enviando manuais de apoio e orientações sempre que necessário, tendo para isso, a atenção dedicada e empenho da, na época, secretária da COPLA, srta. Tamyres Gouveia Gomes.
Dos 110 projetos contemplados, 24 (quase um quarto do resultado) vieram do interior, distribuídos entre 19 municípios, dentre os quais: Limoeiro do Norte, Juazeiro do Norte, Crato, Iguatu, Maranguape, Russas, Itapipoca, Crateús, Acaraú, Barreira, Maracanaú, Jaguaruana, Mulungu, Sobral, Morada Nova, Massapê, Quixadá, Independência e Barro.
O total de inscrições para o Prêmio foi de 317 inscritos, nas quais 75 inscrições nos chegaram de 39 municípios do interior cearense. São eles: Crateús, Pacatuba, Arneiroz, Assaré, Barro, Brejo Santo, Caucaia, Eusébio, Independência, Ipu, Juazeiro do Norte, Limoeiro do Norte, Maracanaú, Maranguape, Quixadá, Russas, Tauá, Eusébio, Massapê, Morada Nova, Jaguaribe, Sobral, Tabuleiro do Norte, Mulungu, Tianguá, Sobral, Crato, Itapipoca, Barreira, Jaguaruana, Maracanaú, Acaraú, Aracati, Assaré, Quixeramobim, Aquiraz, Iguatu e Ubajara.
Dos 317 inscritos, de acordo com as categorias, assim foi a distribuição: Poesia (67), Literatura Infantil (45), Revista Literária (4), Livro/Álbum de Arte (10), Contos (31), Dramaturgia (13), Romance (13), Quadrinhos (10), Ensaio sobre Tema Cultural (33), Ensaio/Crítica Literária (9), Cordel (8), Selo Editorial (4), Reedição (47) e Crônica/Memória (23).O fato é que o Edital do Prêmio Literário para Autor (a) Cearense, ação da Secretaria da Cultura do Governo Estadual, provocou imensa reação e reconhecimento por todos os segmentos da cadeia criativa e produtiva do livro, um marco na história literária do Ceará, que merece ser festejado: em 2012, até então, 100 produtos culturais, dentre as 14 categorias acima citadas, lançados no mercado, muitos autores publicados em sua primeira vez, 100 novos títulos que figuram nas prateleiras das livrarias cearenses e nas 192 bibliotecas públicas municipais dos 184 municípios cearenses.
A todos que acreditaram e participaram conosco dessa grande iniciativa a nossa gratidão.

Fortaleza, 10 de março de 2012
Raymundo Netto
Coordenadoria de Políticas do Livro e da Leitura



               Ao Poeta Fernando Câncio, em seus 90 anos


Carlos Vazconcelos

                                                           
Hoje trago versos
No meu matulão
Trago uma oferenda
Modinha e canção
Fiz uma comenda
E andei compondo
Pastoral, parlenda
Para o seu Fernando

Hoje trago versos
No meu embornal
Madrigal, balada
Trovas e um luau
E uma embolada
Que vim preparando
Por toda a estrada
Para o seu Fernando

Hoje trago versos
Na minha algibeira
Trago um pôr-do-sol
Trago uma roseira
E um rouxinol
Que já vem cantando
Desde o arrebol
Para o seu Fernando

Hoje trago versos
Dentro de um Grajaú
Marchinha, cantata
Velho carnaval
E uma serenata
Com todos tocando
Com viola e flauta
Para o seu Fernando

Hoje trago versos
No meu caçuá
Balaio de imagem
Alforge e patuá
Rimas na bagagem
Que vou ofertando
Como homenagem
Para o seu Fernando