segunda-feira, 14 de dezembro de 2015


Confraternização dos Poetas de Quinta, na residência do Pedro Salgueiro. Muita conversa e cerveja geladinha. Sábado, 12-12.











sábado, 21 de novembro de 2015

CRÔNICA DE PEDRO SALGUEIRO

O poeta Passarinho







“Se o olhar
se demora
sobre a beleza


perceberá
na pura luz
a aspereza.”

(A lupa, de Breviário)

Desde 1994 escuto falar em Carlos Nóbrega, quando ele venceu o prestigioso Prêmio Minas de Cultura e, por conta disso, saíram alguns poemas seus nos jornais. Lembro que andei procurando pelo autor daqueles versos arretados, depois desisti, imaginando mais um dos nossos que foram pro sul para nunca mais voltar. Após muito tempo, o irrequieto Jorge Pieiro, no meio de uma conversa, me indagou:

— Tens visto o poeta Nóbrega?

No que respostei:

— Procuro há séculos, mas já desisti!

Então segredou que o misterioso bardo trabalhava no mesmo prédio que eu, logo ali na agência bancária de minha repartição (seria, juro!, o último local onde procuraria um poeta); não necessitava nem perguntar, bastava seguir “um baixinho de careca luzente que anda bem ligeirinho”. No dia seguinte fui (de posse desse infalível retrato) “campear” o recluso versejador. Mas que surpresa, não só o encontrei facilmente, como constatei que convivera com ele por quase uma década; e – pasmem! – sentia até certa raiva do sujeito: pois sempre que ia ao banheiro dava de nariz com a fumaça de seus muitos cigarros: enquanto procurava aquele inventor de quimeras eu já o havia amaldiçoado diversas vezes.

Passei a ser seu amigo e leitor: sempre dividimos mesas de bar (com os famigerados Poetas de Quinta) e arquibancadas de campos de futebol, fanáticos que somos pelo glorioso Tricolor do Pici. E apesar de circular pouco entre escritores e de fugir dos holofotes (nem a pau dá entrevistas, lança livros ou participa de eventos literários), ele publica até com regularidade; desde a última década do Século XX, editou: A Sono Solto, Outros Poemas (Prêmio Osmundo Pontes/ACL), Breviário (Prêmio Emílio Moura), Árvore de Manivelas, O Quanto Sou, 8Verbetes (Prêmio Gerardo Melo Mourão/Ideal Clube), Lápis Branco e Canto Aceso.

Seus livros estão sempre ao alcance da mão: basta a tristeza (e/ou a burrice) um dia me assaltar que fisgo qualquer verso ao acaso e, de imediato, me sinto mais lúcido, mais humano; volto a acreditar que a sensibilidade vai, finalmente, triunfar, que a beleza logo, logo reinará neste nosso mundo tão tosco.

E não é que este vate escorregadio, tímido, de voz atropelada, sempre a escapulir da fama, completou no último mês de outubro, já 60 anos. Mas não parece, pois o espreito sempre em suas andanças de menino inquieto (até caxumba por esses dias pegou), maquinando alguma travessura: ontem mesmo o avistei de longe, sua carequinha subia os infinitos degraus do prédio em que mora seu companheiro de traquinagens, o Poeta de Meia-Tigela. Carregava uma velha mochila de colegial, dentro talvez arraias, ioiôs, triângulos, bilas, piões e, bem creio, variados sonhos!

“Já tão velhinho
o velhinho
que não envelhece
mais –
Se dissipa
em cabelos e olhares
vai no vento
como os jornais.”

(O vento, de Breviário)

(Jornal O POVO, edição de 21/11/2015)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

CINCO ESPELHOS E MUITAS DESIMAGENS

                                                           


Batista de Lima


“E5pelhos” é uma antologia com cinco poetas. O primeiro deles, Carlos Nóbrega, desdiz-se. Não é nada. É apenas feliz. Como árvore embriagada de vento, ele se embriaga de poesia. Sua paixão lembrada é a moça da lata do Leite Moça. Na vingança dos espelhos, estampa-se a ausência de Borges. Para não ser como duna que dura algum vento, ele se poemiza pétreo à beira de um zodíaco, esperando um trem antes do trilho. Como herança para algum póstero, ele leva, como prenda, três batatas e uma felicidade. E se até o coqueiro enlouquece com o vento, quem será ele para não desenraizar-se montado nos panos de sono, todos sujos de sonhos? Carlos Nóbrega tem um boi incomodado que berra no seu cinto, se contorce no casaco, mexe-se no prato quente para lhe dizer que também tem alma. Entretanto, foi no dia em que pintou de palavras sua página branca que sua inocência fugiu envergonhada. Esse poeta ferrado pelo vento leva nos ossos a inscrição CN, tu és poeta, e sobre este abismo em que caem as horas, plantarei minhas trombetas para que anuncie a ressurreição dos versos.

Frederico Régis é um poeta desbiografado. Seu verso é seu exame de sangue. Quando apresenta o poema “Curatela”, abre as comportas dos açudes que carregamos e os faz sangrar pelas janelas de nossas almas. Pungente e belo, dorido de um lirismo avassalador, é o melhor poema da coletânea. Depois, para completar, nos oferece seus avós nos semblantes de seus tios, numa lanterna sobre a mesa, numa bengala sobre a praia. Que poeta memorial! Mesmo arrependido pelo que não fez, imagine se tivesse feito. Depois sai a perguntar: “Onde será que te guardei?” Frederico Régis é poeta das dimensões da memória, a reconstruir compartimentos. Seu inventário poético é de quem não foi criança em vão.

Jorge Furtado é poeta itinerante. Transita pelo corpo da cidade como quem vasculha quartetos de um poema. Sangra pelas bribocas do poema como quem se esvai pelos escoadouros do Pajeú, do Cocó e do rio Ceará. Seu destino é o grande estuário desse paiol que é o poema. Avulso como papéis soltos, o vento que ainda resta é seu guia. No pântano de incógnitas com que se depara vai plantando mudas poéticas como quem povoa solidões. Nesta selva, o único transeunte a quem ignora é o tempo. Aos outros oferta versos como quem oferta lares. Nos seus sonhos bocadioonisíacos, Alcides Pinto lhe oferta musas. Ante o espelho, saltita o menino que um dia foi.

Lúcio Cleto biografa-se com a palavra e o traço. Sua poesia não se conforma em ficar apenas enclausurada na palavra. Ela salta do verso e cola nas paredes semióticas do mundo das coisas. Seus poemas experimentais são ávidos de dimensões. O símbolo e o ícone bifurcam-se para que o grito lírico seja crucificado na tela. Surreal é a sua criação. Do sonho à montagem, cada um dos seus murmúrios vem binário e triádico. Linguístico e semiótico esse poeta busca uma terceira dimensão do que produz. Nada para ele está definitivo. Tudo flui e reflui. Há uma correnteza, um fluxo de mensagens que se sobrepõe para dizer “ecce Cletus”.

Por último aparece o Poeta de Meia-Tigela, ou o Poeta de Tigela-e-Meia, ou Alves de Aquino, querendo distar-se do que o cerca. Começa sonetando natalynicamente em quatro estações. Suas meditações lhe meditam, afinal filosofia e poesia lhe atravessam, apolíneo e dionisíaco respectivamente. Seu amor pançudo vive da própria fome. Sua heroína, “Tia Ioiô”, desviveu para dar vida a seu melhor poema, sua culminância poética. Sua poesia tenta nos salvar a todos doentes de entulho. Esse poeta, quando transita por esses ínvios caminhos poéticos, sempre encontra alguns rostos impressos e desertos, algumas lágrimas neblinando sobre um espinho que lhe perfura entre a unha e a carne.

De tanto se perguntar, Alves de Aquino não sabe de quem são os olhos com que vê. De tanto se ver, termina por não se conhecer. Não se acha parecido consigo mesmo, para desventura dos espelhos. Tudo isso quando passa, e o poeta põe os pés em algum chão, ele metazoa zooludicamente à moda Manoel de Barros, “passarinho / nota musical / emplumada (…) cachorro / espanador / que late.” Também quando se refere ao cavalo, ele afirma que o animal “sofre espora / não despiora / só desmelhora”. Ainda passeando pelo reino animal, impressiona-se ao ver “o leão leonar / o jacaré jacarelar e o peixe-espada / espadanar-se”. Tudo isso comprova que esse poeta tigelado desmantela a linguagem e depois lhe dá uma nova ordem.

O Poeta de Meia-Tigela conclui-se no Departamento de Sonhadoria. Ali, quando a sombra ameaça anoitecer sua alma é porque a solidão quer lhe passar cadeado. Terminando seu contingente poético, Alves de Aquino nos oferta um poema piada da mais bela feitura. E é assim que essa seleta se encerra. O quinteto que espicha seus poemas ao longo da nossa leitura, nos põe em alerta diante do fazer poético. Poesia é linguagem, artesanato sofrido. Esses brinquedos verbais necessitam de experimentações. Coragem e sofreguidão se aliam nesse parto. Esses cinco poetas quebram seus espelhos para nos mostrar suas faces estilhaçadas e nos convidar para, na companhia de cada um, tentar rearrumar esse mundo que desmantelaram.        
                                                      
(Publicado no Diário do Nordesteedição de 17 de novembro de 2015)


                                                                             jbatista@unifor.br

sábado, 31 de outubro de 2015

ÁRIDO



O meu verso - pouquíssimo importa,
A vida sim importa.
As carnaubeiras dão asteriscos verdes
               ao ar ido,
sem nunca me terem lido.
Árido não será isto:
               a solidão de uma planta
numa paisagem rude.
Áridos serão meus versos
               que nunca produzem palmas.
Todos vivem.
Poetas resumem
E é só o que eles fazem.


Carlos Nóbrega


domingo, 18 de outubro de 2015

NOME. CRÔNICA DE PEDRO SALGUEIRO PARA "O POVO"




Algo existe de mais natural e prosaico que o reles nome de um indivíduo? Tirante o machismo perpetuado da família paterna em detrimento da materna (prática que, sabiamente, aos poucos está sendo desobedecida), ele carrega apenas uma parte do “histórico” genético das gentes. De quando em vez me pego lembrando (basta encontrar um desconhecido com um dos meus antigos “sobrenomes”) as minhas “famílias” que foram sendo descartadas ao longo do tempo: uns Liras, Cunhas, Pintos ou Araújos espalhados pelo meio do mundo, afora as diversas alcunhas que valiam quase como registro oficial, feito os “Conguês” ou “Capuchus” que meus avós carregavam nos lombos desde priscas eras.


O escritor Michael Ondaatje, canadense, nascido no Sri Lanka e crescido na Inglaterra, mas de origens holandesa, cingalesa e até portuguesa, em seu magistral romance O Paciente Inglês, nos diz: “Quando somos jovens, não olhamos para espelhos. Só quando ficamos velhos, preocupados com nosso nome, nossa lenda, o significado de nossas vidas para o futuro. Ficamos vaidosos com nossos nomes, nossas pretensões de termos sido os primeiros a ver, o exército mais forte, o comerciante mais sagaz. Só quando fica velho é que Narciso deseja uma imagem esculpida de si mesmo”.


Enquanto eu, mero escrevinhadorzinho de província, demorei um bocado a prestar atenção na minha “firma”, precisamente quando publiquei meu primeiro livro (tinha já 30 anos nas costas) como Pedro Rodrigues Salgueiro. Recordo que o amigo Sânzio de Azevedo me alertou para meu nada eufônico Rodrigues engasgando o seco Pedro e atrapalhando o forte Salgueiro. Ponderei (justificando) que era mais identificado com a minha família materna que com a paterna, como aliás quase todo mundo. Estava lançado o alerta de que meu antes insignificante nome na verdade escondia uma “marca” que necessitava ser registrada, preservada e, pasmem, até cultuada com bastante esmero. Teimei em editar mais dois livretes com o velho nome de batismo, mas acabei – depois de várias opiniões e conselhos insistentes dos colegas escritores – me rendendo e resumindo minha agora quase comercial assinatura para somente 
Pedro Salgueiro.


Sinto-me, porém, cansado desse “timbre” gasto – penosamente carregado por mim por quase meio século – e estou pensando em, mais uma vez, trocá-lo; meus amigos, como sempre em tom de chacota, até me andam renomeando às escondidas; mas tirante as gozações de praxe da turma, acabei aceitando a sugestão do Poeta de Meia-Tigela (ele próprio uma alcunha ambulante) de assinar apenas “Pedro Sal.”. Faz alguns anos que informalmente rubrico, por preguiça e desleixo, simplesmente um “PSal.” em quaisquer mensagens internéticas ou raras missivas de papel.


Entretanto, mesmo dessas abreviações já ando deveras exausto: estou, ociosamente, acreditando que quase ao final de tudo – bem pertinho do inevitável ninho das corujas, ao lado de onde as andorinhas eternamente dormem e deixando de lado a narcísica (e besta) preocupação com o próprio nome –, vou acabar tascando embaixo da minha lápide simplesmente um ordinário “P.S.”.

17.10.2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

quarta-feira, 22 de julho de 2015



O PESCADOR E O CAÇADOR

Crônica de Pedro Salgueiro, em O Povo

Sempre gostei de presenciar o diálogo (até a falta dele, ou uma tentativa que seja) entre forças antagônicas, torcedores de times rivais, ateus e crentes, homens e mulheres, idosos e crianças, quaisquer que sejam as diferenças muito me interessam.

Estes dias fui com meu sogro, que é agricultor e caçador desde menino nos sertões do Ceará, para Fortim, à beira do rio Jaguaribe entrando no mar do Pontal do Maceió. Nada mais estranho pra ele e dona Graça (a sogra) que os costumes litorâneos: de tudo se admiram, da comida, do clima, dos costumes, enfim, do povo praiano.

Mas não se acanham, demonstram vontade de aprender (ou pelo menos entender) esse modo de vida de caranguejos, que vivem fuçando a lama dos mangues, pescando além da risca do infinito mar; com desenvoltura tentam comer de tudo, molham as canelas no branco das ondas, escutam a prosa abundante dos pescadores...

E foi num desses encontros improváveis que pude ver o contraste mais de perto, quase palpável: quando os levei para um bate-papo à tardinha na barraca do seu Dadá e dona Joana, que frequentamos faz quase duas décadas. De início o pescador desde criança, com mais de 50 anos de mar, e o agricultor sertanejo, também caçador desde a meninice, quase não engataram conversa, titubearam aqui e ali em frases vacilantes, encabulados; então articulei algumas perguntas sobre as diferenças dos dois, tipo quem era mais corajoso: se o caçador que passava madrugadas enfurnado nas matas ou o pescador que açoitava as ondas noites afora?
Em poucos minutos já proseavam que nem dois companheiros de infância, tiravam diferenças, até contavam vantagens; porém só me assustei quando eles partiram para falar de assombrações do mar e do mato, cada uma mais cabeluda que a outra.

Mas me levantei da mesa mesmo foi quando os dois desataram a contar causos que juravam ser verdadeiros, e – melhor ainda – todos passados com eles próprios: seu Dadá certo dia pescou duas guarajubas com o mesmo lançamento de anzol – e não se assustem: com o mesmo peso –; já seu Manoel, não ficando para trás, derrubou uma juriti e uma nambu com o mesmíssimo tiro de espingarda...

Senti que era hora de encerrar a conta, pagar a despesa e ir para casa, pois aquela conversa estava ficando perigosa e prometia ir longe.

O ADVOGADO E O PESCADOR

Meu amigo Élder Ximenes era bem jovem quando o levei (com sua inseparável Alexandra) pela primeira vez para comer um peixe na barraca do seu Dadá; o recém-formado advogado, curioso como sempre foi, adiantava perguntas noite adentro, enchendo a paciência do velho pescador: queria saber sobre cada peça do barco, cada detalhe da pesca, como se no dia seguinte tivesse que prestar exame de término de curso naquela exótica matéria náutica.
Já quase no final da conversa, todos já em pé para sair, o garçom recolhendo as espinhas do cangulo, seu Dadá ainda teria que responder a última inquisição do nosso inteligente amigo:

— Pois me diga, seu Dadá, estando seu barco perdido numa noite escura como o breu, em alto mar, com o tempo nublado, como o senhor faria para voltar pra casa?

Pensando que o antigo pescador se sairia com cálculos estrelares aprendido dos avós, rotas nebulosas dos astros celestes, o novo advogado se assustou com a resposta.

— É fácil, meu jovem, eu consulto o meu GPS.

E ainda hoje o ex-poeta Élder X., sobrinho do grande Caetano Ximenes Aragão, balança desconsolado a cabeça quando lembra a improvável resposta do experiente navegador.

Mas não deixa de rir um bocado.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

MIRAVILHA. LIRIAI O CAMPO DOS OLHOS



O poeta Alves de Aquino está entre os melhores e maiores de seu tempo. Coração furioso e apaixonado, inteligência abrasiva e forte sensibilidade literária, vem construindo uma obra única. O professor de filosofia na universidade traz para a sua poesia reflexões sobre a existência, e aprofunda os significados. Brincando com as palavras, segue nos labirintos dos enigmas da sociedade, dos lances da carne e do espírito, da tragédia do cotidiano, da injustiça brasileira, ecoando cantadores repentistas, o pessimismo e o bom-humor de Augusto dos Anjos, uma alquimia à la Guimarães Rosa, mas bem jovem, urbana e contemporânea. É impressionante seu soneto composto de logomarcas e logotipos de empresas como Adidas, Coca-cola, Esso, Microsoft ou MacDonald’s, pela combinação de significados e pela alta voltagem dessa nova língua.

Seus poemas são certeiros, contundentes, perfeitos, com as rimas mais inesperadas (pincher com clinch, gancho com desmancho, chove com 29, ou disparates com amostra-grátis), cheios de surpresas, elegância e delicadeza de sentimentos e expressão, mesmo nos mais impetuosos versos. Alves de Aquino carrega o eu e a voz de uma poesia combativa, que está se inovando na mesma velocidade das máquinas contemporâneas.


Ana Miranda
(em texto da orelha do livro)

CEARÁ É O PRIMEIRO ESTADO A RECEBER A CARAVANA DAS ARTES DA FUNARTE

Em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), a Fundação Nacional das Artes (Funarte) realiza na próxima terça-feira, dia 21, em Fortaleza, o primeiro encontro da Caravana das Artes no País. A ação envolve uma série de debates que o Ministério da Cultura (MinC) e a Funarte farão nas 27 unidades da Federação, com o objetivo de coletar contribuições da sociedade civil para a construção da Política Nacional das Artes (PNA). Na Capital, serão realizados ao longo dia encontros específicos para levantar e debater propostas de políticas públicas para as artes visuais, dança, circo, literatura, música e teatro.

A abertura do evento será às 10h, no Teatro Dragão do Mar. A solenidade de abertura contará com a presença do presidente da Funarte, Francisco Bosco, do diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte, Leonardo Lessa, de representantes das secretarias estadual e municipal de Cultura e de outras autoridades locais. O artista plástico Yuri Firmeza foi convidado para fazer uma palestra sobre os desafios da política para as artes contemporâneas.

Francisco Bosco explicará como está sendo desenvolvido o processo participativo da elaboração da PNA, que parte dos estudos e discussões realizados nos últimos 10 anos pelos Colegiados Setoriais, formados por técnicos do Ministério da Cultura (MinC) e representantes da sociedade civil. A PNA deverá se constituir em um conjunto de políticas atualizadas, fundamentadas e duradouras para as artes no País.

No período da tarde, das 14 às 18h, serão realizadas seis reuniões separadas com artistas e produtores culturais, para debater propostas para as seis linguagens artísticas. As discussões serão conduzidas por um grupo de articuladores escolhidos pelo MinC pela competência e atuação profissional na articulação e no debate político no campo de suas respectivas linguagens. São eles:  Cacá Machado (música), Jacqueline Medeiros (artes visuais), Júnior Perim (Circo), Marcelo Bones (Teatro), Rui Moreira (Dança) e Sérgio Cohn (Literatura).

"Cada articulador do PNA será responsável por coordenar os encontros, as rodas de conversa que vão discutir, a partir dos planos setoriais de cada área, as propostas e necessidades das artes contemporâneas", informou a articuladora Jacqueline Medeiros, que atua e conhece o cenário cultural cearense.

Nas próximas edições da Caravana das Artes, além dois seis articuladores escolhidos pelo MinC, também estarão presentes seis consultores, que estão sendo selecionados por meio de edital da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Em função do grande número de inscritos, a seleção dos consultores ainda está em processo. 

Além das caravanas, a participação da sociedade civil se dará ainda nas contribuições via internet na plataforma www.culturadigital.br/pna, nos encontros setoriais e nos seminários temáticos que farão parte da construção da Política Nacional das Artes. 

Seminário "Participação Social 
na Gestão Cultural" com
Vinicius Wu

Além da Caravana das Artes da Funarte, também no dia 21 acontecerá o "Seminário Participação Social na Gestão Cultural", da SAI/MinC, das 18h às 21h, com a presença de Vinicius Wu, Secretário de Articulação Institucional do Ministério da Cultura. Será apresentado a proposta e o calendário do processo Eleitoral do CNPC, para renovação dos Colegiados Setoriais e representantes da Sociedade Civil das áreas técnico-artísticas e do Patrimônio Cultural no Conselho Nacional de Política Cultural – CNPC, para o período de 2015 a 2017, por meio dos Fóruns Nacionais Setoriais, que serão realizados de maneira descentralizada e presencial. O Seminário ocorre no Teatro Carlos Câmara, logo após o fim das atividades da Caravana da Funarte.


SERVIÇO:

CARAVANA DAS ARTES NO CEARÁ

Abertura:10h 
Local: Teatro do Centro Dragão do Mar

Reuniões para debater propostas para as linguagens artísticas - 14h às 18h 

Artes Visuais
Local: Cento Cultural Banco do Nordeste (Rua Conde D'eu, 560, Centro)

Circo
Local: Casa Juvenal Galeno (na Rua Gen. Sampaio, 1128)

Dança
Local: Vila das Artes (Rua 24 de Maio, 1221, Centro)

Local: Espaço Estação, na Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel (Rua 24 de Maio, 60, Centro)


Música
Local:  Museu da Indústria (Rua Dr. João Moreira, 143 – Centro)

Teatro
Local: Teatro Carlos Câmara (Rua Senador Pompeu, 454 - Centro)
Seminário Participação Social na Gestão Cultural
Das 18 às 21 horas
Local: Teatro Carlos Câmara (Rua Senador Pompeu, 454 - Centro)
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sexta-feira, 19 de junho de 2015


Autores em contexto;


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terça-feira, 16 de junho de 2015



O III Seminário de Produção Cultural: Panorama e Perspectivas da Produção Cultural no Ceará acontece quinta e sexta-feira, 18 e 19/6, no Centro Dragão do Mar, marcando a conclusão das atividades da primeira turma formada pelo Laboratório de Produção – Curso Técnico em Produção de Eventos Culturais, iniciativa pioneira de contribuição à formação profissional para este setor no Ceará. Reunindo grandes nomes locais e nacionais, o seminário debaterá a qualificação, a regulamentação e a organização da profissão de produtor cultural em nosso Estado. As inscrições são gratuitas e já estão abertas.

Ao longo de 18 meses de atividades do Laboratório de Produção – Curso Técnico em Produção de Eventos Culturais, primeiro curso no Ceará de formação técnica em produção de eventos culturais,  40 produtores tiveram a oportunidade de se qualificar com a íntegra das disciplinas do curso, com uma carga de 1.050 horas-aula, enquanto cursos livres, debates, oficinas e acesso aos módulos individuais garantiram que mais de 1.700 pessoas fossem beneficiadas pelas diversas atividades formativas.

Apresentado pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult), em parceria com o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), com o apoio cultural da Companhia energética do Ceará (Coelce), realização da Quitanda das Artes e da Associação dos Produtores de Arte do Ceará (Proarte), incluiu disciplinas de formação geral e específicas em diversas áreas da produção cultural, como teatro, artes plásticas, música e literatura, e contou com oficinas, seminários e cursos livres realizados em horários diversos e destinados ao público em geral, com acesso gratuito.

Como mais um diferencial, a qualidade dos professores, com um corpo docente formado por doutores, mestres e especialistas do Ceará e de outros estados do Brasil. Os alunos tiveram a oportunidade de ter aulas com diversos pesquisadores e profissionais da cultura, como Lia Calabre, Marta Porto, Maria Helena Cunha, Cláudia Leitão, Sérgio Sobreira, Alexandre Barbalho, Humberto Cunha, Dilmar Miranda, Roberto Galvão, entre outros.


Agora, para marcar a conclusão das atividades da primeira turma, o Laboratório de Produção promove, nos dias 18 e 19/6, sempre a partir das 18h, no Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, o III Seminário de Produção Cultural: Panorama e Perspectivas da Produção Cultural no Ceará. O seminário apresentará um panorama sobre o campo da produção cultural local e nacional, debatendo questões centrais da atividade do produtor cultural, como regulamentação e organização da profissão no Estado do Ceará. Produtores e gestores culturais, além de outros profissionais e interessados na área, podem participar do evento, que tem entre seus objetivos o de contribuir para maior profissionalização do produtor e da produção cultural em nosso Estado.

As inscrições para o seminário são gratuitas e já estão abertas. Basta enviar um e-mail paraseminarioproducaocultural@gmail.com ou acessar o link disponível no Facebook e no site do evento e do Laboratório de Produção, informando nome, profissão, telefone, e-mail e motivo do interesse em participar do evento. A organização do seminário recomenda que todos os interessados façam sua inscrição, aguardando confirmação via e-mail. Caso a demanda seja muito superior à capacidade do espaço, um telão será montado ao lado do auditório, para possibilitar a participação de todos.

GRANDES NOMES REUNIDOS EM FORTALEZA

A programação do III Seminário de Produção Cultural: Panorama e Perspectivas da Produção Cultural no Ceará tem início na quinta-feira, 18/6, às 18h, no Auditório do Centro Dragão do Mar, com o credenciamento dos participantes. Das 19h às 21h30 acontece o debate “Panorama da Produção Cultural no Brasil", com Renata Allucci (SP, apresentando a pesquisa "Panorama Setorial da Cultura Brasileira", realização do Ministério da Cultura e da Vale, por meio da Lei Rouanet), Rachel Gadelha (CE, apresentando a pesquisa “O campo da produção cultural no Ceará: Conformações, configurações e paradoxos”) e o pesquisador e gestor cultural Alexandre Barbalho (CE) como mediador.

Na sexta-feira, 19/6, também com credenciamento iniciado às 18h, acontece das 19h às 20h a mesa de debate sobre o tema “A profissionalização do Produtor Cultural”, com Kátia de Marco (RJ, presidente da Associação Brasileira de Gestão Cultural – ABGC) e Mário Pragmácio (RJ, advogado e doutorando em Teoria do Estado e Direito Constitucional pela PUC-RJ). Na mediação, Paulo Victor Feitosa (CE), produtor cultural, ex-secretário adjunto da Cultura do Estado do Ceará e idealizador do Laboratório de Produção - Curso Técnico em Produção de Eventos Culturais.

Às 20h acontece a solenidade de conclusão da primeira turma do Laboratório de Produção - Curso Técnico em Produção de Eventos Culturais.

NOVO PATAMAR PARA A PRODUÇÃO CULTURAL

Além de garantir profissionais para esse setor, elevar a produção cultural no Ceará a um novo patamar e qualificar produtores culturais conscientes quanto à nova realidade de práticas cidadãs e sustentáveis estão entre os objetivos do curso realizado ao longo dos últimos 18 meses e do seminário que acontece nesta semana. É o que destaca Rachel Gadelha, produtora cultural e coordenadora do Laboratório de Produção.

“O Laboratório visa contribuir com a criação e o fortalecimento de redes colaborativas de produtores, artistas e gestores que possam atuar no desenvolvimento de iniciativas culturais de formação, reflexão e produção cultural, com base em princípios socializantes e democráticos que promovam a cooperação e a solidariedade”, aponta Rachel Gadelha, citando a necessidade de minimizar o impacto da exclusão social e cultural.

“Formando novos profissionais e contribuindo para maior profissionalização desse setor, em curto e médio prazos, o Laboratório buscou criar espaços para fortalecer a economia cultural a partir do entendimento da complexidade que envolve o atual estágio de desenvolvimento da cultura, tendo como horizonte a sustentabilidade econômica, social e ambiental”, complementa Rachel Gadelha, frisando que a cultura, mais do que um setor onde se produzem bens, é o horizonte das relações simbólicas que se exercem pelos diversos indivíduos e grupos sociais em constante relação.

ÁREAS DE ATUAÇÃO DOS PROFISSIONAIS

Os profissionais formados poderão colaborar com centros culturais, fundações, institutos, escolas e universidades, empresas, organizações não governamentais, prefeituras, secretarias de cultura, indústria audiovisual, marcado editorial, televisão, rádio, em departamentos de marketing de empresas, setores do patrimônio histórico, entre outros ramos e setores do mercado. O projeto deverá, ainda, consolidar a capacidade de compreensão e interpretação das dimensões culturais, sociais, econômicas e políticas envolvidas nas etapas de concepção, desenvolvimento e aplicação de conceitos, na realização de projetos culturais.

Com essa formação específica e aprofundada, o projeto vem contribuir significativamente para o desenvolvimento da produção cultural no Ceará e colaborar para a democratização do acesso à Cultura na região, uma vez que se ampliam a quantidade e a qualificação de profissionais atuantes na área.

PRODUÇÃO CULTURAL: MERCADO EM EXPANSÃO

A arte e a cultura como produção de conhecimento e principalmente como entretenimento têm acompanhado, de maneira crescente, nos últimos 20 anos, a expansão da indústria cultural nacional e internacional, incluindo mudanças nos padrões de consumo e de lazer da sociedade. Esse movimento gera uma grande dinâmica para vários setores do mercado, ligados à produção cultural.

Pesquisas revelam uma crescente participação das esferas culturais no PIB nacional, quadro que reflete a expansão atual e o potencial de geração de emprego e renda do setor, que tem superado segmentos tradicionais da economia brasileira. Apesar da dificuldade de mensuração, diante da amplitude e da diversidade do campo cultural, de acordo com o Ministério da Cultura estima-se que as atividades culturais, em 2020, representarão 4,5% do PIB brasileiro, gerando riquezas estimadas em R$ 164 bilhões.

                                        AÇÕES E SEMINÁRIOS ANTERIORES

O Laboratório de Produção – Curso Técnico em Produção de Eventos Culturais promoveu, ao longo de 18 meses, espaços de pesquisa e sistematização de conhecimentos, além de interação de profissionais, favorecendo ações compartilhadas e fortalecimento de redes.

Em 2014, o Curso Laboratório de Produção promoveu dois seminários: o primeiro com o tema “Pesquisas em Cultura” (apresentando o resultado de pesquisas acadêmicas voltadas para gestão cultural, debatendo e avaliando algumas dessas ações) e o segundo com o tema “Desafios da Formação” (em que foi apresentado um panorama sobre a formação em produção cultural local e nacional). O projeto terá continuidade em breve, com uma nova turma e novas ações.

 SERVIÇO:

III Seminário de Produção Cultural: Panorama e perspectivas da produção cultural no Ceará
18 e 19 de junho de 2015, sempre das 18h às 21h30, no Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
Inscrições gratuitas, abertas pelo e-mail seminarioproducaocultural@gmail.com .
Mais informações: www.facebook.com/laboratoriodeproducao / seminarioproducaocultural@gmail.com




domingo, 14 de junho de 2015

ADVENTO


SOBRE OS AUTORES:

ALVES DE AQUINO - nasceu em 1974, em Mucambo, Ceará. Publicou, em 2008, o Memorial Bárbara de Alencar & outros poemas, antologia do Segundo Movimento do Concerto N. 1nico em Mim Maior para Palavra e Orquestra, cujo Primeiro Movimento foi publicado em 2010.

DÉRCIO BRAÚNA nasceu em Limoeiro do Norte, Ceará, em 1979. Mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará. Publicou os livros de poesia O pensador do jardim dos ossosA selvagem língua do coração das coisasMetal sem húmus, além de livros de contos e teóricos abordando as relações entre história e literatura africana.

SAMARONE LIMA é jornalista e escritor. Nasceu no Crato, Ceará, e vive no Recife desde 1987. Foi finalista do prêmio Jabuti com o livro-reportagem Viagem ao crepúsculo, em 2010, e com A praça azul & Tempo de vidro, de poesia, em 2013. Em 2014 conquistou o 1º lugar no Prêmio Literário Biblioteca Nacional 2015 e o segundo lugar no 2º Prêmio Brasília de Literatura, na categoria Poesia, com o livro O aquário desenterrado, publicação da editora Confraria do Vento.