terça-feira, 7 de agosto de 2012

                                                
                                                  
                                                  MENTIRA

Nosso mundo cheio de armadilhas
Pelas quais os mortos passam isentos
Nossos olhos arregalados nos escuros
Por onde a alma guarda seus dejetos

Para o amor preciso de condições objetivas
Leito, vento e veladas transgressões
Para dormir só me basta a dor
Ela me leva inteiro ao mundo de dentro

Dezenove não é vinte e o mar repousa
Imenso: a poça azul os sonhos remove
Ora introduz o sal nas ventas ora apoquenta
A ferrugem das destruídas promessas

Nossas chinelas descansam nas entradas
Nossas pegadas registram o momento
Que o banho foi a vida e o peso suplicava
Pela terra inaudita que a homilia devorava

Escrevo certo por linhas e trovas no dia
E os anos têm sido generosos com os erros
Falo o que quero e ouço o que suporto
Driblar a morte é sempre um trabalho digno



                          Frederico Régis

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